Pancreatite

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas, uma glândula grande atrás do estômago e perto do duodeno, e pode ser aguda, crônica ou hereditária. O pâncreas secreta enzimas digestivas no intestino através do tubo pancreático. Essas enzimas ajudam a digerir gorduras, proteínas e carboidratos do bolo alimentar. O pâncreas também libera os hormônios insulina e glucagon na corrente sanguínea. Esses hormônios ajudam o corpo a usar glicose que obtém da comida em energia. Geralmente as enzimas digestivas não ficam ativas até alcançarem o intestino, onde começam a digerir o alimento. Porém, se essas enzimas ficarem ativas dentro do pâncreas, elas começam a “digeri-lo”.

A pancreatite aguda acontece subitamente, dura um curto período de tempo e geralmente é resolvida. Já a pancreatite crônica não se resolve por si mesma e resulta da destruição lenta do pâncreas, ou seja, persiste mesmo depois de sua causa ter sido removida.

A hereditária ocorre devido a uma mutação no gene que codifica o tripsinogênio o torna resistente a inativação por autólise quando este é ativado prematuramente no interior do pâncreas. Normalmente o mecanismo de autólise previne que o tripsinogênio seja ativado dentro do fígado. Porém, quando o tripsinogênio anormal é ativado, este acaba por desencadear a ativação em cascata de todo o restante do tripsinogênio no pâncreas causando assim a digestão interna.

Sintomas

Pancreatite Aguda: Na pancreatite aguda o principal sintoma é dor abdominal, quase sempre de início abrupto. Os livros falam em dor em cólica, mas não é exatamente assim. É uma dor de forte intensidade, contínua e persistente, que dura horas ou dias, localizada na parte alta do abdômen e que se irradia para a região dorsal, na altura do epigástrio. Geralmente, ela se espalha como se fosse um cinto para os dois hipocôndrios, isto é, para o lado direito e para o lado esquerdo. Náuseas e vômitos costumam ocorrer associados à dor.

Pancreatite Crônica:Doente com pancreatite crônica pode ter surtos de pancreatite aguda. Dor também é um sintoma importante na pancreatite crônica. Embora a localização seja a mesma, ou seja, na região epigástrica e também se irradie para o dorso, ela dura mais tempo e seu início é menos súbito do que na forma aguda da doença. De qualquer modo, é uma dor tão forte que, para controlá-la, os doentes lançam mão de analgésicos potentes e até do uso de drogas ilícitas.

Quando o indivíduo é etilista e tem propensão para desenvolver dependência de drogas, esse recurso para controlar a dor pode reverter-se num problema social muito grave. Como a quantidade de enzimas digestivas diminui, o alimento é absorvido inadequadamente e o indivíduo pode evacuar fezes volumosas e fétidas. As fezes apresentam uma coloração clara e um aspecto gorduroso, podendo inclusive conter gotículas de gordura. A má absorção também leva à perda de peso. Finalmente, as células secretoras de insulina do pâncreas podem ser destruídas, levando gradualmente ao diabetes.

Diagnóstico

Além de perguntar pelo histórico médico da pessoa e fazer um exame físico, o médico pedirá um exame de sangue para diagnosticar a pancreatite aguda. O médico também poderá pedir ultrassom abdominal para procurar com cálculo biliar, e tomografia computadorizada axial para verificar a ocorrência de inflamação ou destruição do pâncreas.

Já na pancreatite crônica os exames de sangue são menos úteis em seu diagnóstico que no da pancreatite aguda, mas eles podem revelar níveis elevados de amilase e de lipase. Além disso, os exames de sangue podem ser utilizados para se verificar a concentração de glicose (um tipo de açúcar) no sangue, a qual pode estar elevada.

As radiografias abdominais e a ultrassonografia podem revelar a presença de cálculos no pâncreas. A pancreatografia retrógrada endoscópica (uma técnica radiográfica que mostra a estrutura do ducto pancreático) pode mostrar um ducto dilatado, uma estenose do ducto ou a presença de cálculos no mesmo. A tomografia computadorizada (TC) mostra essas anormalidades, assim como o tamanho, a forma e a textura do pâncreas. Ao contrário da pancreatografia retrógrada endoscópica, a tomografia computadorizada não exige o uso de um endoscópio.

Causas

Pancreatite aguda: A causa de pancreatite aguda não é compreendida completamente. Aproximadamente a metade das pessoas que também desenvolvem pancreatite tem cálculos na vesícula biliar (“pedra na vesícula”). Outro fator comum que conduz a pancreatite é o consumo excessivo de álcool e quando o duto pancreático está bloqueado ou estreitado devido a trauma. Algumas outras causas são hipertrigliceridemia, esteroides, veneno de escorpião, hipotermia, má formação genética e etc. Mulheres grávidas são mais sensíveis a desenvolverem problemas com o excesso de triglicerídeos. O consumo excessivo de refrigerantes e cafeína também está associado a danos ao pâncreas.

Pancreatite Crônica: As causas da pancreatite crônica são basicamente as mesmas que a da pancreatite aguda, alcoolismo, hipertrigliceridemia, hipotermia, traumas, hipercalcêmica (excesso de cálcio no sangue) e etc. Danos decorrentes do abuso de álcool podem não aparecem por muitos anos, e então a pessoa pode ter um ataque súbito de pancreatite. Em até 70% dos pacientes adultos, a pancreatite crônica parece ter sido causada pelo alcoolismo. Essa forma é mais comum em homens, e geralmente desenvolve-se entre os 30 e 40 anos.

Pancreatite Hereditária: Pancreatite hereditária geralmente começa na infância, mas pode não ser diagnosticada por vários anos. Uma pessoa com pancreatite hereditária geralmente tem os sintomas típicos que vão e vêm. Um fator determinante no diagnóstico de pancreatite hereditária é a presença da doença em dois ou mais membros da família em mais de uma geração.


 

 

 

 

 

Tratamento

Basicamente, o tratamento é clínico da pancreatite aguda requer internação hospitalar. O doente deve ficar em jejum, com hidratação por soro na veia. Como não existe nenhum medicamento capaz de desinflamar o pâncreas, é preciso deixá-lo em repouso até que a inflamação regrida, o que acontece em 80% dos casos. Os outros 20% evoluem para uma forma grave da doença, com lesão de outros órgãos, como pulmões e fígado, além do pâncreas. Esses doentes podem entrar em choque e têm de ser levados para a unidade de terapia intensiva. A pancreatite aguda pode tornar-se uma doença Gravíssima e com mortalidade muito alta. Nos casos mais graves, a mortalidade que era de 1% passa para 60%.

Na pancreatite crônica o tratamento também é clínico. Além do controle da dor, é preciso deixar o pâncreas em repouso, evitando alimentos gordurosos e respeitando uma dieta à base de hidratos de carbono. O uso de analgésicos deve ser prescrito com cuidado, sempre evitando o uso crônico de opióides, o que pode facilitar o desenvolvimento de eventual dependência da droga.

Pacientes com diarreia que apresentam insuficiência exócrina recebem por via oral as enzimas pancreáticas (amilase, lípase, etc.) que não produzem. Nos diabéticos, é fundamental o controle do metabolismo da glicose com dieta e, frequentemente, com a administração de hipoglicemiantes por via oral ou, se houver agravamento do quadro, de insulina.

Como evitar pancreatite?

Como o álcool é um dos grandes causadores da pancreatite, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser feito com moderação ao longo de toda a vida para evitar esse tipo de complicação. As pessoas com história de inflamação pancreática motivada por álcool jamais devem voltar a beber.

Quem tem cálculos biliares seria bom precisa discutir, com seu médico, a possibilidade de retirar as pedras e a própria vesícula para prevenir uma possível pancreatite futura, pois muitas vezes, a presença dos cálculos, especialmente dos pequenos, passa despercebida, por não produzir sintomas, mas aumenta consideravelmente o risco de o indivíduo sofrer uma inflamação aguda, podendo levar a crônica.

Outras medidas para evitar a pancreatite, de modo geral, é seguir uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos e controlar o peso.

One Response to Pancreatite

  1. brenda diz:

    A minha mae sofre desa doenca ela precisar de ajuda ela sente muita dor .

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